terça-feira, abril 25, 2006

A Coluna por ... Sérgio Lopes do blog Cine-Asia

Evolução do Cinema Asiático

Cantos do Mundo - Asia

Não foi há muito tempo que o cinema asiático era maioritariamente conhecido apenas pelos filmes japoneses do grande Akira Kurosawa ou pelos filmes indianos de Satyajit Ray. No entanto, e a partir, principalmente, da década de 80, assistiu-se a uma grande evolução da sétima arte no continente asiático. Novos realizadores surgiram, como novas ideias e novas abordagens à realização, que tornaram possível a ocidentalização do cinema asiático.
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Em décadas diferente, películas vindas de Hong-Kong, Japão e mais recentemente, Coreia do Sul, Taiwan e Filipinas, são alguns dos países que contribuíram para este desenvolvimento que trata o cinema de uma forma diferente, apelativa e até excitante e que tem chamado a atenção de todo o mundo e em particular do cinema americano que encontrou nos remakes dos filmes asiáticos um novo filão de receitas e uma forma de contornar a gritante falte de originalidade actual.
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O primeiro país, impulsionador do cinema, no continente asiático, foi a China. Aliás neste país o cinema tem cerca de um século! No entanto, e apesar das eras douradas dos anos 30, finais dos anos 40, ou mais recentemente, os anos 80 e meados dos anos 90, a grande repressão vivida e a não permissão por parte do governo da passagem de alguns filmes devido aos conteúdos abordados não serem aceitáveis (censura!), a China foi ultrapassada por outras cinematografias asiáticas. Apesar de tudo, alguns cineastas conseguiram chamar a atenção do mundo em geral através do seu trabalho criativo. O maior exemplo poderá ser Zang Yimou que recentemente atingiu o estrelato mundial com Hero (candidato ao Óscar de melhor filme estrangeiro) ou The House of the Flying Daggers.
Apesar da censura, cerca de 150 a 200 filmes são feitos na China por ano. No entanto, poucos deles saem do território chinês ou conseguem obter resultados aceitáveis face às películas oriundas principalmente de Hong Kong. Assim, para contrariar, de alguma forma, a censura existente no país, os chineses, não tiveram outra alternativa que não fosse a de facilitar as instalações e os meios (estúdios, locais, etc) aos vizinhos de Hong-Kong, que deste modo tiveram a possibilidade de fazer filmes com reduzidos custos. Por outro lado, a China tinha a possibilidade através dos produtores de Hong-Kong a trabalhar em território chinês de divulgar internacionalmente o seu cinema e escapar à censura.
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Hong Kong acabou por lucrar bastante com esta parceria conseguindo desenvolver a sua indústria cinematográfica. Assim, na década de 70, o aparecimento de Bruce Lee e mais tarde de Jackie Chan, tornaram o cinema de Hong-Kong muito lucrativo e internacionalmente conhecido. Este facto, tornou possível o aparecimento de novos cineastas de Hong-Kong, dos quais obviamente se destacam na década de 80, John Woo e Tsui Hark, criadores de filmes de acção inovadores e que mais tarde acabaram por ir parar a Hollywood. Nessa época, Hong-kong vivia um clima de prosperidade e era conhecido como “Hollywood da Ásia”, tal era a produção em massa de películas. No entanto, face à concorrência da indústria americana e dos vizinhos Japão e Coreia do Sul, Hong-Kong tem sofrido um grande declínio, tendo mesmo sido ultrapassado por outras cinematografias.
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Assim, a partir dos anos 90, o Japão que tinha estado pouco produtivo, desde a época dourada dos anos 50 e 60, atingiu um novo pico de criatividade. Novos realizadores surgiram e revolucionaram o cinema Japonês em diversos géneros e com diferentes estilos. A nível da animação (vulgo anime), Hayao Miyazaki criou obras magníficas com Monoke Princess ou Spirtied Away. Takeshi Kitano, criou obras com uma realização muito própria baseando-se na tríade japonesa, tais como Hana-Bi ou Brother ; ou Takashi Miike, característico pela ultra-violência e uso excessivo do gore e do choque (Ichi, the killer, Audition, etc), foram alguns dos principais responsáveis pela aclamação mundial do cinema Japonês. Outros nomes, tais como o cineasta independente Nagisa Oshima (Taboo) ou o pioneiro do cinema de terror oriental Hideo Nakata (Dark Water ou Ringu), contribuíram igualmente para o sucesso e ocidentalização do cinema asiático, particularmente o japonês.


Paralelamente ao boom do cinema japonês, neste inicio do século XXI, nasce uma grande diversidade de propostas oriundas de diferentes países asiáticos. Neste momento, assistimos com grande admiração e satisfação à ascensão do fabuloso cinema coreano. Influenciado pela cultura americana e adapatado à sua própria cultura, tem sido uma surpresa agradável e uma cinematografia a seguir com muita atenção. (Num próximo artigo debruçarei.me com mais detalhe sobre o novo cinema coreano). Por outro lado, Hong-Kong tenta regressar, mas agora com um cinema mais independente, onde se destaca Wong kar-Wai (In the mood for love ou 2046). Outras cinematografias emergentes tais como Taiwan (Crouching Tigger, Hidden Dragon recentemente nomeado para Óscar de Hollywood) ou Filipinas, Indonésia, Índia, Paquistão, etc, estão em franca ascensão o que leva a concluir que podemos esperar muito mais do cinema que é feito do outro lado do mundo. Vamos aguardar para ver…

Sérgio Lopes

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Nota do editor: Será publicado mensalmente um texto de autoria de Sérgio Lopes para o Blogblogblog. Muito obrigado a Sérgio Lopes pela sua colaboração. Este texto também foi publicado nos blogues Hollywood e Cine-Asia.

2 Comments:

At abril 25, 2006 7:40 da tarde, Blogger papagueno said...

Só conhecia o cinema Asiático através dos velhos filmes de karate, na adolescência conheci o magnifico Kurosawa, Oshima e claro Miyazaki cuja série Conan o Rapaz do Futuro me fazia companhia creio que era aos domingos de manhã. Depois do Japão e Hong Kong a Coreia começa agora a conquistar o mercado ocidental. Obrigado pela visita, parece que vou ter que voltar aqui.

 
At abril 25, 2006 8:25 da tarde, Blogger Zyro said...

papagueno: Pode todos os meses encontrar um texto do Sérgio Lopes no Blogblogblog e sugiro vivamente que visite o Cine-Asia, o Asian Fury, o Bakemon e o Anime-Comic.Obrigado pelo comentário.

 

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